Oncologia do HUSE é referencia em dor crônica

5 de Maio de 2016 às 22:06


“Um grande alívio”. O depoimento simples e direto de dona Antônia Jovelina, 76 anos, resume o bom resultado obtido pela moradora da cidade de Salgado, após iniciar o tratamento para o controle da dor crônica no Centro de Oncologia do Hospital de Urgência de Sergipe Governador João Alves Filho (HUSE). Com ambulatório específico para o atendimento de pacientes que desenvolvem as chamadas síndromes dolorosas agudas, hoje a unidade é considerada referência nesse tipo de serviço para o estado.

Surpreso com o atendimento diferenciado, o filho da aposentada não escondeu a satisfação de acompanhar as melhorias no quadro clínico da mãe e ainda levar para casa medicamentos de controle especial. “A evolução é impressionante. Agora, ela até consegue dormir, o que não acontecia há muitos anos. Desde que os médicos detectaram um tumor no fêmur, foram necessárias sessões de radioterapia e quimioterapia. Depois de tanto sofrimento, estamos caminhando para uma nova fase na vida dela”, relata o autônomo Samuel Reis, referindo-se à mãe.

De acordo com a coordenadora do Centro de Oncologia, Rute Andrade, a ampliação dessa assistência tem o objetivo de garantir qualidade de vida àqueles que não acreditavam mais na solução dos seus problemas com relação às dores crônicas. “Após o tratamento, muitos pacientes que antes eram obrigados a ficar em cadeiras de rodas ou mal se levantavam da cama, conseguem lidar com as dores consideradas insuportáveis. Isso só mostra o quanto o trabalho de toda a equipe é gratificante”, considera a enfermeira.

Procedimentos

É no ambulatório que a anestesista Vera Azevedo ouve atentamente os relatos dos cerca de 30 pacientes que são atendidos por semana. Para facilitar a identificação dos sintomas e prescrever os remédios indicados, a especialista utiliza a ‘Escala de Intensidade da Dor’, um instrumento que possui figuras com fisionomias diferenciadas numeradas de zero à dez.

A médica explica que as dores oncológicas podem acontecer em decorrência de vários fatores, dentre eles, lesões nas estruturas músculo-esqueléticas, pós-amputação de um membro ou mesmo depois da ação de quimioterápicos. “A dor não pode ser considerada apenas o resultado da quantidade de tecido lesado, algo concreto. É um sintoma individual e subjetivo. Precisamos acreditar na queixa do paciente e compartilhar essas sensações incômodas que chegam a interromper a rotina da maioria. Por isso, o sucesso terapêutico é um verdadeiro desafio”, destaca Vera Azevedo.

Hipnose

Bastante incomodada com as fortes dores lombares provocadas por uma lesão na medula óssea, a feirante Goreth Muniz, 37 anos, reclama das dificuldades que vem encontrando para exercer as atividades diárias. “Sentada ou em pé, a dor me persegue. Já são 11 anos de tortura e angústia, mas acredito que agora essa situação vai mudar”, conta otimista.

Sentada na poltrona do consultório, Goreth fecha os olhos e inicia o transe (um estado de consciência alterado entre o sono e o acordado, onde se obtém um acesso direto ao inconsciente humano). Enquanto o relaxamento acontece, o psicólogo voluntário Tiago Araújo conduz a paciente através de toques, palavras e gestos. O procedimento adotado de forma inédita no HUSE acontece em caráter experimental com o intuito de ajudar alguns doentes a se libertarem da dor prolongada.

“Trabalhamos em parceria com os métodos convencionais, um complementando o outro. Mas no campo da medicina, a hipnose tem se mostrado tão útil que, em alguns casos, até substitui os anestésicos químicos. Esse método recebe o nome de hipnoanalgesia”, explica Tiago.

Alternativa

Outra alternativa de tratamento também vem ajudando acompanhantes de pacientes e funcionários da unidade a superar o estresse diário. Trata-se da acupuntura. Uma técnica que consiste no estímulo de pontos determinados da superfície da pele. “Utilizamos a acupuntura auricular, pois a orelha apresenta centenas de números de pontos específicos que correspondem a determinados órgãos do corpo humano”, diz o gerente ambulatorial da Oncologia, Gilmar Batista.

Segundo ele, a técnica funciona como uma importante ferramenta para o diagnóstico. “Assim, podemos identificar, por exemplo, uma forte dor de cabeça”, cita. Para a técnica em enfermagem Viviane Cristina, a disponibilização da acupuntura no setor de trabalho demonstra a preocupação do hospital com os servidores. “Nós também adoecemos devido ao desgaste físico e emocional. Por isso é muito bom ter essa nova alternativa gratuitamente”, conclui.

Fonte: http://www.saude.se.gov.br/index.php?act=leitura&codigo=4119